Senador do PSDB foi denunciado à Justiça Federal por pagamentos indevidos recebidos em contas no exterior pela Odebrecht.

Governador de SP disse que 'Justiça existe para avaliar' e que, só após decisão final, 'nós poderemos nos manifestar plena e definitivamente' sobre o caso.

O senador José Serra (PSDB-SP) discursa no plenário do Senado Federal Marcos Oliveira/Agência Senado O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), comentou nesta sexta-feira (3), durante coletiva à imprensa, a operação realizada pela força-tarefa da Lava Jato em São Paulo durante a manhã, que denunciou o senador José Serra (PSDB) por lavagem de dinheiro. Doria disse que sempre apoiou a Lava Jato e que defende a "ampla e irrestrita investigação dos fatos".

Mas se posicionou por "jamais condenar por antecipação".

"Quero começar declarando meu apoio à Lava Jato, como já fiz inúmeras vezes, quando prefeito da capital de São Paulo e quando governador do estado de São Paulo.

Defendo a ampla e irrestrita investigação dos fatos, sempre que houver questionamento envolvendo recursos e agentes públicos, mas jamais condenar por antecipação.

A justiça existe para avaliar, julgar e apenas depois da decisão da justiça é que nós poderemos nos manifestar plena e definitivamente", afirmou Doria na coletiva. Nesta manhã, a PF fez buscas na casa em que ele e a filha Verônica Allende Serra, que também foi denunciada, moram em Alto de Pinheiros, Zona Oeste da capital paulista.

Segundo os investigadores, os agentes foram recebidos apenas pela ex-mulher de Serra, Mônica.

No local foram apreendidos pen-drives, HDs e computadores.

Serra, que tem 78 anos, foi eleito governador do estado no pleito de 2006, tendo assumido e governado de 1º de janeiro de 2007 até abril de 2010.

Ele não estava no local no momento da operação. Em nota divulgada à imprensa por meio de sua assessoria, Serra afirmou ainda que a operação, "em meio à uma pandemia", é "desarrazoada" e afirmou que seus atos sempre foram baseados na "licitude". "É lamentável que medidas invasivas e agressivas como a de hoje sejam feitas sem o respeito à Lei e à decisão já tomada no caso pela Suprema Corte, em movimento ilegal que busca constranger e expor um senador da República", disse José Serra em nota. Acusação de lavagem de dinheiro Segundo o Ministério Público Federal, a Odebrecht pagou a Serra cerca de R$ 4,5 milhões entre 2006 e 2007, supostamente para usar na sua campanha ao governo do estado de São Paulo; e cerca de R$ 23 milhões, entre 2009 e 2010, para a liberação de créditos com a Dersa, estatal paulista extinta no ano passado. Os procuradores concluíram que houve lavagem de dinheiro usando a técnica "follow the money" ("siga o dinheiro", em tradução livre). A denúncia diz que Serra e a filha Verônica Allende Serra praticaram lavagem de dinheiro de obras do Rodoanel Sul no exterior de 2006 a 2014.

O atual senador não vai responder a crimes atribuídos a ele até 2010, como corrupção, por exemplo, porque tem mais de 70 anos e os crimes prescreveram – o tempo de prescrição cai à metade quando a pessoa tem mais de 70 anos.

O tucano, entretanto, responderá por supostos crimes de lavagem de dinheiro que ocorreram após essa data, e que, segundo o MPF, foram cometidos até 2014.

Segundo a denúncia, a cadeia de transferência e ocultação do dinheiro ocorreu de 2006 a setembro de 2014 e foi controlada pela filha Verônica.

Em nota, a Odebrecht diz colaborar com a Justiça.

“A Odebrecht, hoje comprometida com atuação ética, íntegra e transparente, colabora com a Justiça de forma permanente e eficaz para esclarecer fatos do passado”. Veja quem foi denunciado José Serra: hoje senador, ex-governador de SP foi denunciado duas vezes por lavagem de dinheiro Verônica Allende Serra, filha de Serra, foi denunciada duas vezes por lavagem de dinheiro Serra é denunciado pela Lava-Jato por lavagem de dinheiro e alvo de buscas pela PF Como funcionou o esquema, segundo o MPF No fim de 2006, conforme apontado na denúncia, Serra – que ainda não era governador de SP – solicitou ao executivo da Braskem Pedro Novis, que intermediava a relação com a Odebrecht e hoje é colaborador da Justiça, o pagamento de R$ 4,5 milhões e pediu para receber o montante não no Brasil, mas no exterior, por meio da offshore Circle Techincal Company, indicada pelo empresário José Pinto Ramos, amigo do tucano por anos. Ainda de acordo com a operação, Ramos e Verônica constituíram empresas no exterior, ocultando seus nomes, e por meio delas receberam os pagamentos que a Odebrecht destinou a Serra.

Ramos é citado como responsável pela operação das transferências, mas não foi denunciado pelo MPF porque tem mais de 70 anos e os crimes atribuídos a ele também prescreveram. O MPF ainda afirma que Ramos e Verônica realizaram transferências para dissimular a origem dos valores e os mantiveram em uma conta de offshore controlada pela filha de Serra, de maneira oculta, até o final de 2014, quando os valores foram transferidos para outra conta de titularidade oculta, na Suíça.

O MPF obteve autorização na Justiça Federal para o bloqueio de cerca de R$ 40 milhões em uma conta no país europeu. Initial plugin text