Idosos se beneficiarão com a utilização de tecnologias interativas com fins terapêuticos A Age Well é uma rede canadense voltada para aliar a tecnologia ao envelhecimento.

Assisti a uma conferência da organização, há cerca de uma semana, cujo ponto alto foi a discussão sobre a ampliação do uso de games e robôs no dia a dia de idosos, em especial aqueles com algum tipo de comprometimento cognitivo.

A prescrição de games com fins terapêuticos alcançou um novo patamar no dia 15, quando o FDA (Food and Drug Administration), a agência reguladora norte-americana que equivale à Anvisa brasileira, aprovou o EndeavorRx como parte de tratamento para crianças com TDAH (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade).

Criado pela empresa Akili, é indicado para a faixa etária entre 8 e 12 anos e o estudo sobre sua eficácia foi publicado na prestigiosa revista “The Lancet”. Interessante é que, enquanto a empresa trabalhava no projeto, seus desenvolvedores acreditavam que poderia ser adotado também no tratamento da Doença de Alzheimer.

Há fortes indícios de que jogos e aplicativos terão lugar cativo no futuro da medicina.

É aí que entra a apresentação de John Muñoz, cientista e designer de games, na conferência que citei.

Seu campo é exatamente o das assistive interactive technologies, ou seja, as tecnologias interativas que são utilizadas nos cuidados com seres humanos. Idosa interage com o robô Pepper, criado em 2014 Joanneum Research “Há três frentes diferentes de ação”, explicou.

“A primeira é a dos games e aplicativos com o objetivo de trazer benefícios para a saúde e o bem-estar.

A segunda é a dos agentes interativos, que pode ser virtuais ou robôs, ambos capazes de criar ou participar de experiências com o usuário.

E a terceira frente é a dos objetos do dia a dia conectados e capazes de realizar tarefas, a chamada internet das coisas”, enumerou. O pesquisador, que é PhD e faz pós-doutoramento na Universidade de Waterloo, no Canadá, tem atuado no campo da reabilitação de idosos com problemas neurológicos e vítimas de acidentes vasculares cerebrais, mais conhecidos como derrames.

Atualmente trabalha na criação de um jogo para estimular a prática de exercício.

Com o uso de óculos de realidade virtual (RV), o jogador será “transportado” para um barco e terá que remar até a praia. Ele acredita que os robôs e a RV serão os grandes diferenciais como ferramentas para melhorar a qualidade de vida dos portadores de qualquer tipo de deficiência, física ou cognitiva, como as demências: “o importante é que as iniciativas sejam centradas na pessoa, que sejam construídas com a ajuda dos usuários e de seus cuidadores, para que sejam atraentes e efetivas”. Os robôs sociais, como o Pepper, lançado em 2014, vão interagir com os indivíduos, enquanto a realidade virtual proporcionará ambientes com experiências imersivas, interativas e multissensoriais.

Muñoz dá, como exemplo, a utilização dessas máquinas para fazer uma mediação intergeracional entre avôs e netos: “eles podem estimular a colaboração entre os idosos e as crianças, tornar a experiência mais excitante, e ainda gravar e compartilhar esses momentos”.