(crédito: Evaristo Sá/AFP)


A defesa do ex-presidente Lula enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (22/2) mais diálogos que teriam sido trocados entre integrantes da extinta força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba. As mensagens, obtidas no âmbito da Operação Spoofing (que prendeu hackers suspeitos de invadir celulares de autoridades), foram repassadas à defesa após autorização do Supremo.

Em um dos diálogos destacados está um que seria entre o procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da extinta força-tarefa de Curitiba, e o procurador Januário Paludo, no dia 15 de setembro de 2016. “Deixe essa burocracia chata que não serve para nada e vem pará cá você também, January. Venha prender o Lula”, teria escrito Dallagnol. A defesa afirma, no documento enviado ao STF, que, na ocasião, “não havia sequer uma acusação formal contra Lula. Reforçando a obsessão em relação a ele”, afirmou a defesa.

A manifestação foi enviada ao ministro Ricardo Lewandowski no âmbito de uma reclamação (43.007), contendo diálogos do relatório analisado pelo perito assistente Cláudio Wagner, contratado pela defesa.

O documento traz, ainda, diálogos que envolveriam uma integrante da Polícia Federal chamada Erika. Ela teria lavrado um depoimento sem falar com a testemunha. “Como expõe a Erika: ela entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara, com escrivão e tudo, quando não ouviu nada… Dá no mínimo uma falsidade… DPFs [delegados da Polícia Federal] são facilmente expostos a problemas administrativos”, teria escrito Deltan.

Erika é citada apenas pelo primeiro nome. Havia na Lava-Jato uma delegada da PF chamada Erika Marena. Quando o ex-juiz Sergio Moro passou a ser ministro da Justiça e Segurança Pública, ela passou a ocupar o cargo de diretora do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional da Secretaria Nacional de Justiça.

Em junho de 2019, algumas mensagens envolvendo procuradores e o ex-juiz federal Sergio Moro começaram a ser divulgadas pelo site The Intercept, em série de reportagens intitulada “Vaza Jato”. Um mês depois, a Polícia Federal deflagrou a Operação Spoofing, a qual obteve mais diálogos como esses.

A reportagem entrou em contato com o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná e aguarda retorno. Na PF, ainda não há nota em relação aos diálogos que citariam a delegada Erika.


Por Sarah Teófilo/Correio Braziliense


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