Nascido em Fortaleza (CE) em 1962 e radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) há 34 anos, após período em que residiu em Brasília (DF), o baixista e compositor cearense Jorge Helder é um dos instrumentistas mais valorizados pelos ícones da MPB.

Querido no meio musical, inclusive (mas não somente) pelo virtuosismo no toque do baixo, Helder reúne amigos em Samba doce, primeiro álbum de carreira que já contabiliza quatro décadas de atuação como músico arregimentado para discos e shows de grandes nomes da música brasileira.

O amigo e parceiro Chico Buarque – com quem o baixista toca ininterruptamente desde 1993 – participa no álbum produzido pelo próprio Jorge Helder com repertório inteiramente autoral que transita pelo universo do samba-jazz.

Chico canta Bolero blues, primeira das três músicas que fez em parceria com Helder. Bolero blues é composição lançada originalmente por Chico no álbum Carioca (2006).

As outras duas parcerias de Helder com Chico, Rubato (2011) e Casualmente (2017), também figuram no fino cardápio autoral de Samba doce, disco lançado pelo Selo Sesc nesta sexta-feira, 18 de setembro, com capa que expõe ilustração criada por Fausto Nilo com inspiração em fotografia em que crianças dançam como se estivessem saltando no ar – boa tradução da música de movimentos livres que nasce da inspiração de Jorge Helder.

Rubato ganha a voz do cantor Renato Braz. Já o bolero Casualmente ressurge com as vozes dos integrantes do grupo Boca Livre, em arranjo de Maurício Maestro.


Chico Buarque e Jorge Helder no estúdio na gravação de 'Bolero blues' — Foto: Maria Carolina Rodrigues / Divulgação

Chico Buarque e Jorge Helder no estúdio na gravação de 'Bolero blues' — Foto: Maria Carolina Rodrigues / Divulgação


Dori Caymmi reforça o time de solistas vocais do disco, interpretando o inédito samba-ijexá Dorivá, composto por Helder com Aldir Blanc (1946 – 2020), cuja letra celebra o buda nagô Dorival Caymmi (1914 – 2008). As cordas da Orquestra de São Petersburgo ouvidas em Dorivá foram arranjadas por Mario Adnet.

Rosa Passos é parceira e convidada de Jorge Helder no registro de Inocente blues, tema apresentado pela cantora e compositora baiana no álbum Amanhã vai ser verão (2018).


Inventário da produção autoral desse compositor notabilizado como baixista, o álbum Samba doce irmana músicas antigas – caso de Tema novo, composição que, ao contrário do que sugere o título, foi feita em 1983 quando o artista ainda morava em Brasília (DF) – e temas mais recentes como o Samba doce do título, composto em 2017.

Helder toca em nove das dez faixas do disco, estando ausente somente do registro de Vagaroso, música que assina sozinho, assim como Passo o ponto – faixa gravada com a Orquestra Atlântica – e Outubro 86.

Saudado com entusiasmo por Caetano Veloso (“Jorge é um dos pontos altos da nossa música popular. Refina a tradição de música instrumental e traz a canção para dentro dela como ninguém”), em texto escrito para apresentar o álbum, Samba doce põe sob os holofotes, em primeiro plano, a maestria de baixista cuja trajetória se entrelaça com a história musical de ícones da MPB como o próprio Caetano, além de João Bosco, Maria Bethânia e Ney Matogrosso, entre muitos outros nomes.




G1


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