O filósofo britânico Roger Scruton morreu neste domingo (12), aos 75 anos, segundo comunicado da família divulgado na imprensa inglesa.

O pensador, que esteve em São Paulo no último mês de julho participando do Fronteiras do Pensamento, havia tido um câncer diagnosticado há seis meses, ainda segundo a família.

Em entrevista à Folha de S.Paulo na ocasião, o filósofo, pensador conservador mais celebrado da atualidade, disse: “há mil coisas que podem ser chamadas de conservadoras, há mil coisas que podem ser chamadas de liberais. O que importa, no final, é o que você faz com elas”.

O escritor, que também foi conferencista no Birkbeck College, em Londres, é autor de cerca de 50 livros sobre estética, moral e política, como “O que É Conservadorismo” (É Realizações), “Como Ser um Conservador”, “A Alma do Mundo” e “Tolos, Fraudes e Militantes” (Record).

O totalitarismo era um dos temas de interesse de Scruton, que criticava a União Europeia como projeto por ver nela o valor individual coibido em favor de uma burocracia sem face. Na mesma linha, apoiou a saída do Reino Unido do organismo.

Nos anos 1970 e 1980, ele ajudou a montar uma rede de intelectuais dissidentes de regimes comunistas do Leste Europeu. Acabou banido da Tchecoslováquia, só para acabar condecorado pelo país após a redemocratização de 1989.

Em abril do ano passado foi afastado do cargo de conselheiro de uma comissão do governo conservador britânico para melhorias urbanas por conta de uma entrevista à revista esquerdista New Statesman na qual, ficou provado depois, o jornalista havia editado frases para que parecessem racistas ou preconceituosas. “Usaram os mesmos métodos totalitários que eu combati no Leste Europeu, tiraram tudo de contexto. Tentaram me atingir sem que eu tivesse feito nada de errado, mas pelo que eu penso”, disse ele sobre o caso na entrevista à Folha.

Scruton deixa a mulher, Sophie, e os filhos, Sam e Lucy.





Midia Max

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